Há alguns meses, uma vontade inadiável me chamou à terra. Era uma necessidade corpórea de ancoramento e da realização da magia de todas as magias: cultivar e fazer nascer a vida.
Minha maternidade começou com uma Espada de São Jorge que ganhei de um grande amor. Ela me despertou para o desafio de mantê-la viva. Nesse ímpeto, resolvi cuidar com carinho e diligência de uma florzinha que comprei no mercado. Já éramos três.
O foco era terrestre e pedia que as ações fossem muito práticas: arrumar espaço para a maternidade, colocar uma mesinha na varanda, arranjar vasinhos, comprar terra, nutrientes, regador, pá. Em cada movimento prático morava uma vontade de criar um lar. Aprender a fazer a parte de drenagem do vaso para não afogá-las foi essencial: meu objetivo era ancorar e enraizar, e não matar de tanto amor.
Rapidamente percebi o quanto a falta da terra em um apartamento suspenso no ar embaralha as mil ideias que aparecem na minha cabecinha diariamente. Então plantei sementes de girassol e tomate cereja. Agora é cuidar e esperar.
Lavanda, Manjericão, Kalanchoe, Peperomia, Eucalipto Dólar, Brinco de Princesa, Ficus Ruby, Clusia, e a solidez da Espada de São Jorge. Tenho um laboratório de vida onde posso me recarregar. A qualquer sinal de surto mercurial ou lunar, corro para a terra em potinhos para me ancorar.
Mas a vida não é só Festa de Deméter, logo me deparei com uma dificuldade que me cortava o coração: podar as mudas menores para que as maiores pudessem prosperar. Custa caro fazer o corte de uma folha adoecida para que a planta inteira não padeça. Como não amar aquilo que já se tornou tão familiar? Mas a responsabilidade é estrutural: agir com o pé no chão, podar, organizar regas e fertilizações, manter a constância para que elas possam vicejar. É a construção paciente de um ciclo que se organiza para o crescimento. O ciclo de vida e morte está em todo lugar.
Coloco a mão na terra que dá à luz a vida, enfiando os dedos para sentir a umidade e voltando com as unhas entranhadas de matéria elementar. Rega. Essa não precisa regar. O milagre é organizado: água, terra, luz e ar. Cuidando direitinho, o crescimento acontece. Hoje é mais um dia de maternar.
ao acordar
conversar com as filhas
oferecer água
abrir as cortinas para a luz entrar
verificar o vento
alguém está no ponto de adubar?
será que hoje sai sol?
o eucalipto está pedindo poda
adoeceu, não é possível adiar
corte brusco
será que assim ele volta
era de uma beleza prateada e lunar
vou organizar o plantio dos pepinos
imagino muita água
comer meus filhos pepinos
puts, será que eu vou Saturnar?
quantos quilos de terra essa varanda aguenta?
preciso fazer uma planilha dos ciclos
um alecrim para remediar o Sol
para colaborar com os girassóis
será?
os girassóis estão a ponto de abrir
primeira vez do espetáculo solar
o cheiro da lavanda
a beleza da Brinco de Princesa
da Ficus Ruby
ombros e mandíbulas suavizadas
deu-se à luz a matéria
agora sim eu tenho um la
Agradeço à Elen que me deu meu primeiro filho e à Ana que me avisou para não ter dó de podar.
Conte comigo!
Quanto a mim, estou sempre dedicando minha energia e meu tempo para traduzir a palavra do oráculo, e você pode contar comigo para uma leitura de tarô acolhedora e respeitosa com suas singularidades e vulnerabilidades.
A vida não precisa ser um drama solitário.
O peso sempre pode ser compartilhado.
Agende aqui a sua leitura de tarô!
Meu nome é Audrey Augusta, a Corva de Vênus.
Sou taróloga, astróloga, escritora e artista.








que coisa mais linda, amiga! fico tão feliz em ter participado e incentivado seu plantio. que seja sempre um lugar de chão fértil e amor. te amo!!